Três aspectos da conjuntura recente de Minas foram apontados como centrais para o Comitê Estadual do PCdoB, que se reuniu neste final de semana em Belo Horizonte. Os comunistas chamam a atenção para três fatos: o impacto da crise mundial sobre a economia do Estado, que é fortemente afetada por ser baseada na exportação de commodities minerárias e agrícolas, a construção de uma alternativa progressista para o governo estadual, capitaneados pelo PT e o PMDB e a disputa que o governador mineiro trava dentro de seu partido pela indicação de candidato tucano a presidente da República.
O PCdoB pretende jogar um papel ativo nas movimentações que estão se desenvolvendo rumo ao Palácio da Liberdade e defende um novo pacto político para construir uma aliança no estado que sirva de sustentação para a aliança nacional.
O documento aprovado na reunião aponta que “para viabilizar esse palanque, o PCdoB considera urgente a aproximação das forças que dão sustentação ao governo do presidente Lula no Estado e que têm no PT, PMDB e os partidos do Bloco de Esquerda – PCdoB, PSB, PRB, seu núcleo básico”. O PCdoB considera que pode contribuir mais decisivamente na construção desta unidade, inclusive reivindica a indicação de um nome para compor a chapa majoritária.
Saída Política
Os números recentes da economia mineira foram analisados na reunião, que apontou como preocupante a “brusca queda do PIB mineiro”, identificada nos últimos três meses do ano passado. Neste período, a indústria mineira teve uma retração de -4,71%. Na opinião dos comunistas, “a saída para a crise é essencialmente política e o governo federal tem apresentado ações efetivas para combater os impactos da crise”, enquanto o governo Aécio está na contramão deste rumo, pois o governo intervém pouco, não apresentando medidas concretas.
Como alternativas de ação contra a crise no estado, o PCdoB apresenta como “primeiro desafio buscar agregar valor à sua estrutura produtiva para não ficar refém das demandas externas”. Cabe assim à sociedade mineira “exigir que o governo estadual intervenha em setores que apresentam dificuldades, evitando assim o aumento ainda maior do número de demissões. Uma importante iniciativa pode ser utilizar as estatais mineiras como Copasa e Cemig enquanto investidoras na nossa economia”.
Desafios para 2010
Quanto às eleições proporcionais de 2010, o documento único aprovado por unanimidade pela direção estadual do PCdoB apresenta o desafio de “eleger, no mínimo dois deputados federais. O Partido está atento para o debate sobre as propostas de reforma política que inclui o fim das coligações e não será pego de surpresa. Na construção dessa tarefa, a tática a ser desenvolvida será a que possibilite a consecução desse objetivo, incluindo aí a busca de coligação cuja linha de corte seja favorável.”
No caso da representação para o parlamento estadual, o documento aprovado aponta que “a experiência já acumulada indica o acerto da tática de chapa própria, que além da prioridade em assegurar a reeleição do mandato do camarada Carlin Moura, possibilita a ampliação da bancada. Para isso está construindo, com ousadia uma forte e ampla chapa de candidatos das mais diferentes regiões, levando em conta a opinião dos comitês municipais para compor uma lógica eleitoral estadual.”
Fonte: Portal Vermelho