Definir uma pauta concreta para o enfrentamento da crise econômico-financeira com apresentação de propostas desenvolvimentistas para o Brasil e mais especificamente para Minas Gerais, além de construir uma aliança com vistas à estruturação e ampliação do bloco de esquerda no Congresso e no estado. Estes foram os dois focos – econômico e político – da reunião de parlamentares e dirigentes do PCdoB, PDT, PSB e PRB, na manhã de esta terça-feira (24), na Assembléia Legislativa.
No âmbito do enfrentamento da crise foi deliberada a incorporação à luta dos prefeitos contra as perdas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM); em prol da renegociação das dívidas de Minas Gerais, e por uma política fiscal que tenha como prioridade o estímulo à geração do emprego e renda.
Uma das responsáveis pela iniciativa, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG), alertou para a necessidade de os partidos de esquerda se unirem em torno de propostas concretas para reduzir os impactos da crise sobre a atividade econômica e os trabalhadores. “Por isso é necessário que tomemos como referência a pauta de reivindicações das centrais sindicais, dos setores produtivos e dos prefeitos”.

Propostas
Neste primeiro encontro ficou acertada a apresentação, pelo deputado estadual Sebastião Helvécio (PDT), de uma proposta de desenvolvimento para Minas Gerais que inclua, entre outros aspectos, investimentos em renovação tecnológica. O deputado considerou “fenomenal a idéia de se discutir e apresentar um programa de desenvolvimento neste momento em que a crise mostra sua força”, reivindicando uma periodicidade dos encontros para sua maior efetividade.
Para o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB) é hora de os parlamentares e os partidos aproveitarem a experiência acumulada e apresentarem projetos que possam realmente contribuir para a reversão do quadro. Iniciativas que, acredita, terão como reflexo um melhor resultado nas urnas dos partidos envolvidos. Ele também comemorou a provável reedição do bloquinho (aliança dos pequenos partidos) de esquerda na Assembléia e no Congresso Nacional, em 2010.
O presidente municipal do PDT, ex-deputado federal Sérgio Miranda falou da necessidade de se contrapor as medidas anunciadas pelos governos com a crise prevista e já instalada. “Como será o contingenciamento? Quais os cortes e que áreas eles afetarão em Minas Gerais?”, foram algumas das questões colocadas pelo pedetista que elencou a renegociação da dívida e mudanças na política fiscal como essenciais para o enfrentamento dos problemas.
“Minas sai à frente neste debate”, anunciou o presidente do PCdoB municipal, José Zito Vieira, reforçando a ponderação de Jô Moraes sobre a necessidade de construir alianças para uma maior estruturação dos partidos de esquerda no Parlamento. “O Congresso está parado, as propostas fatiadas ( divisão de projetos e até propostas de emendas constitucionais – PECs - em itens, parágrafos) estão dificultando acordos”, lembrou Jô Moraes.
Esquerda
O vice-presidente municipal do PSB, Daniel Nepomuceno destacou que já contabilizamos “900 mil desempregados de outubro até hoje no Estado. Não podemos só falar em dados, temos a obrigação de apresentar propostas”. Ele também destacou a iniciativa de união da esquerda na busca de soluções compartilhadas bem antes das eleições.
O representante do deputado Júlio Delgado (PSB) no encontro, seu chefe de gabinete, Leonardo Tobias Nogueira, também ressaltou a necessidade de essa construção dos partidos de esquerda ter não só como objetivo a apresentação de propostas quanto uma periodicidade no seu funcionamento.
Já o dirigente do PRB, Cláudio Sampaio demandou uma sintonia fina entre as instâncias municipal, estadual e nacional dos partidos em relação às propostas e decisões tomadas. Isto, para que seus dirigentes não sejam surpreendidos com decisões à ultima hora de acordos de cúpula e que às vezes não correspondem com as construções feitas nas instâncias locais e estaduais. Questão também apontada como relevante pelo dirigente do PSB, Daniel Nepomuceno.
O tesoureiro estadual e secretário-geral do PDT de BH, Hélio Rabelo ao elogiar a iniciativa ponderou que “não podemos ser órfãos de uma ou outra força política que vá polarizar o debate. Temos de apresentar propostas concretas como alternativa de governo para superação da crise e crescimento econômico”, afirmou.
Eleições 2010
Na reunião não ficou definido nomes ou apoio para a disputa às eleições de 2010. De acordo com Jô Moares e Carlin Moura, o encontro não gira em torno de nomes, mas de propostas conclusivas para enfrentar a crise e minimar as perdas para o trabalhador. “É claro que nas discussões incorporaremos o debate da eleição de 2010, mas não é uma questão de nomes, mas de projetos. Queremos nos reafirmar como partidos de esquerdas, com capacidade e autonomia, não ficando a mercê de convocações”, afirmou a deputada. Para Jô é muito importante que o Bloquinho não fique refém de possíveis lideranças e para que isso aconteça, é necessário que haja discussões e troca de idéias para a construção de um projeto para Minas, “isso é o reforço da bancada da esquerda”, afirmou.
Para Carlin Moura, antes de pensar em nomes para a disputa, é preciso discutir os impactos financeiros da crise em Minas, e achar soluções possíveis e necessárias para que o mundo do trabalho não seja prejudicado. Carlin afirmou que os partidos dos Bloquinho estão presentes tanto no governo Lula, como no governo Aécio, e a alternativa é a junção do que há de melhor nos dois projetos. “Nosso objetivo é construir alternativas para o enfrentamento da crise. O Estado precisa repensar a renegociação da dívida de 1994, que tem trazido perdas ao governo, pensar no aumento do superávit que tem crescido a cada dia e buscar soluções para que os municípios não sejam tão prejudicados como tem sido”, salientou Carlin.
Ciro Gomes
No final do encontro, a deputada federal Jô Moraes anunciou, como parte das atividades voltadas à busca de saídas para a crise, o debate na próxima quinta-feira, dia 26, às 19 horas, na Assembléia Legislativa, com o deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE), o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo e o presidente estadual do PT, Reginaldo Lopes, além de parlamentares, dirigentes partidários e convidados.
Da redação: Graça Gomes, com acréscimos de Sheila Cristina