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Carlin Moura homenageia 87 anos do PCdoB

O deputado Carlin Moura homenageia em plenário, o 101 anos do Atlético e os 87 anos de seu partido, o PCdoB. O deputado ressaltou os problemas decorrentes da crise econômica que se instalou no mundo e a falência do sistema baseado na exploração do trabalho pelo capital. Carlin aproveitou e convidou os mais de 100 mil militantes do partido à participarem do 12º Congresso que acontecerá esse ano.

Confira abaixo, a íntegra do discurso do deputado:

Exmo. Sr. Presidente Deputado José Henrique, senhoras e senhores, público presente, amigos telespectadores da TV Assembleia, hoje, 25 de março, é um dia duplamente especial e simbólico para mim. Hoje o nosso glorioso Clube Atlético Mineiro completa 101 anos de existência, num momento alvissareiro, pois o grande Galo forte e vingador lidera o Campeonato Mineiro. Ele tem como símbolo principal o galo, que é o mensageiro da esperança.

Também no dia 25 de março, Sr. Presidente, o meu Partido, o Partido Comunista do Brasil, faz aniversário. Completamos 87 anos de fundação. “Neste 25 de março, o PCdoB inicia seu 88º ano de luta, em uma situação singular, desafiante e promissora. O Partido prepara o seu XII Congresso, para tirar dele todas as conseqüências. No mundo todo, é grave a crise do capitalismo, a pior em oito décadas pelo menos. Os trabalhadores e os povos pagam caro por ela, sobretudo com o desemprego, que reclama resposta unitária e vigorosa. A crise traz à luz a falência do sistema baseado na exploração do trabalho pelo capital, a começar pelo seu coração, o imperialismo estado-unidense.

Esta é uma crise não só financeira, mas de toda a economia e também da ideologia do capital. As teses neoliberais vendidas ao mundo durante 30 anos como verdades eternas se espatifam. O fórum dos burgueses em Davos balbucia autocríticas. Alan Greenspan, papa do culto liberal, pede a estatização dos maiores bancos americanos. Os apóstolos do livre mercado agora apelam para pacotes estatais de socorro, regulação e refundação do capitalismo e para um feroz surto protecionista. O discurso da globalização neoliberal caiu por terra: em vez da prosperidade, o entrelaçamento mundial do capital trouxe o alastramento da crise de Wall Street para a Europa, o Japão, o planeta. A liderança dos EUA declina, numa transição para um novo quadro de forças mundial.

A crise encerra ao mesmo tempo perigos e oportunidades. Para nós, os comunistas, é a oportunidade de superar o velho regime burguês, libertar os trabalhadores, retomar a alternativa socialista. O foco do congresso do PCdoB será atualizar seu programa de transição ao socialismo. É tempo de impulsionar a teoria da revolução, de aprender com as experiências socialistas do século 20 - com as que prosseguem e as que brotam na América Latina rebelde -, de dar mais concretude e força mobilizadora à proposta socialista, de balizar o caminho da revolução brasileira. É esse o norte de toda a ação do partido: resistência ativa, acumulação de forças, alianças e luta, construção de alternativas progressistas, reformas estruturais e rupturas para a superação revolucionária do capitalismo. Nesse percurso - com o País vivendo uma experiência de novo ciclo político com a eleição de Lula junto com as forças democráticas e de esquerda, com forte apoio popular e, ainda, num ciclo de expansão do PCdoB - abrem-se perspectivas para aprofundar a luta contra o neoliberalismo no Brasil, no rumo de desenvolvimento, democratização política e social, defesa do meio ambiente, afirmação crescente da soberania nacional e integração continental.

Neste 87º aniversário, o PCdoB convoca seus mais de 100 mil militantes para que façam um 12º Congresso na melhor tradição comunista: um processo de estudo, discussão e deliberação coletivas, democráticas, vigorosas, com os olhos postos na prática da luta política e social. Chama mais trabalhadores, intelectuais, jovens, mulheres e homens conscientes a entrar no partido e dar a sua contribuição ao congresso. Convida as demais forças de esquerda a opinar também sobre essa pauta, em um diálogo mutuamente enriquecedor, para construir uma esquerda cada vez mais necessária ao Brasil e aos brasileiros e brasileiras.

Voltados para o presente e o futuro, não esquecemos a saga dos 87 anos passados, que reafirmamos e continuamos. Honra aos fundadores do PCdoB; aos insurretos de 1935; aos reorganizadores do PCdoB revolucionário em fevereiro de 1962; aos guerrilheiros do Araguaia e a todos os comunistas da resistência à ditadura, aos que mantiveram o rumo quando era mais densa a treva neoliberal. Deles herdamos a bandeira vermelha da foice e do martelo. A eles dedicamos os avanços que perseguimos nesta situação singular, desafiante e promissora”.

Sr. Presidente, nesta homenagem ao PCdoB, no momento do seu aniversário, queremos fazer dessa uma data concreta de luta, especialmente uma data para enfrentar a crise do capitalismo que se abate especialmente sobre os trabalhadores. Nesse sentido, Sr. Presidente, estamos incentivando o debate político sobre a crise financeira. Para comemorar esses 87 anos, o PCdoB de Minas se reunirá aqui, no Teatro da Assembleia Legislativa, amanhã, dia 26, às 19 horas, ocasião em que teremos a oportunidade de receber o ilustre Deputado Federal do PSB do Ceará, Deputado Ciro Gomes, o Presidente Nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e o Presidente do PT de Minas, Deputado Federal Reginaldo Lopes. Os dois Deputados e o Presidente do PT de Minas vão discutir a crise financeira e apontar rumos numa perspectiva de que é necessário vencer a crise sob a ótica do trabalhador, sob a ótica da defesa do trabalhador e do emprego. Fica aqui o convite a todos para participarem desse debate que se realizará amanhã, no Teatro da Assembleia.

Temos uma preocupação muito especial nessa crise, Sr. Presidente. Enquanto se comemoram - o que acho justo e legítimo - que o Governador de Minas detém índice de aprovação popular altíssimo, mérito dele, não podemos esquecer que a crise financeira assola Minas Gerais de forma especial. Minas, pela característica de sua economia, é o Estado da Federação que tem a maior repercussão da crise financeira. O decrescimento, a diminuição do PIB mineiro, é o maior de todos os Estados da Federação. Os Municípios de Minas Gerais, especialmente os mineradores, estão sofrendo de forma especial com a crise financeira, por exemplo, Itabira, Sete Lagoas, Congonhas, Contagem e Betim. A Região Metropolitana de Belo Horizonte teve o maior índice de desemprego dos últimos 30 anos. Essa é a grande preocupação. Os Prefeitos dos nossos Municípios estão hoje escolhendo o novo Presidente da Associação Mineira de Municípios. Mas qual é a grande preocupação dos Prefeitos e Prefeitas recentemente eleitos? É que a crise está batendo nas suas portas. Já foram demitidos mais de 35 mil trabalhadores nos Municípios mineiros. No último mês, em fevereiro, o repasse para os Municípios mineiros teve um decréscimo de quase 50%. Enquanto, em janeiro, o repasse para os Municípios foi de R$302.000.000,00, em fevereiro, esse repasse caiu para R$185.000.000,00, porque é fruto da recessão, da política que tem sido implementada, das isenções fiscais, em que os Municípios são os primeiros a pagar o pato.

Então acreditamos que temos de enfrentar essa crise, mas enfrentá-la na defesa dos Municípios, dos trabalhadores e das trabalhadoras. Enquanto se comemora a popularidade do Governador de Minas, seria importante que esta também servisse para questionar a dívida do Estado, a renegociação da dívida do Estado, porque hoje ela continua crescendo, com juros acima até da taxa média Selic em curso no Brasil. Esse é o momento de se rediscutir o contrato da dívida de Minas Gerais, de se rediscutir o superávit do Estado, para que Minas não sofra com tanta magnitude a implicação da crise financeira.

Acreditamos, Sr. Presidente, que se deve discutir a crise sob uma perspectiva de saídas. Essa á a lógica que o PCdoB quer adotar - e que vem adotando diante desse quadro. Quando se discute a crise financeira, isso tem de ser feito sob a ótica de quem perde com a crise.

Quem está perdendo mais com a crise financeira? São os grandes aglomerados econômicos ou são os trabalhadores? Esta é grande questão: quem vai perder mais. Os governos, o poder público tem de agir com o objetivo de prestar socorro a quem mais necessita e merece. Ontem, a OIT, por meio de uma resolução aprovada no Pleno para apresentar ao grupo dos 20 países que irão reunir-se na próxima semana, chama a atenção para esse aspecto, pois os governos, o erário, os poderes públicos de diversos países estão movendo montanhas para salvar bancos, montadoras de veículos, seguradoras, e não pensam em salvar empregos, postos de trabalho. Enfrentar a crise financeira é especialmente assegurar os empregos, ou seja, é não deixar que as taxas de desemprego aumentem. Eis o grande desafio: a defesa do trabalhador e do mundo do trabalho. Essa é uma perspectiva fundamental.

Quero compartilhar isso também com os colegas do PSDB, que estão muito satisfeitos com os índices de aprovação do Governador do Estado. Todavia, destaco que a esses índices têm de ser incorporadas soluções concretas para a crise econômica de Minas Gerais, a fim de que os Municípios continuem produzindo, exportando nossos produtos ou de fazer um grande projeto de desenvolvimento que valorize a nossa produção e o nosso mercado interno, que agregue valor à nossa principal riqueza, o minério de ferro. Cito, como exemplo, a empresa Usiminas, que, de forma inusitada e exemplar, está produzindo tubulações para a exploração do pré-sal. Minas precisa seguir o caminho da valorização, agregação de valor às suas riquezas, de geração de emprego e renda para nossos trabalhadores e trabalhadoras. A defesa de Minas e a defesa dos trabalhadores e trabalhadoras é a grande bandeira do PCdoB, neste seu 87º aniversário. Felicidades a toda a militância. Obrigado, Sr. Presidente.

Da Redação: Sheila Cristina

Foto: ALMG/Alair Vieira

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