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Minas, Brasil e o mundo em debate
Defesa nacional pede decisão política, não comercial
28/09/2009

W. Sorrentino

Lula está certíssimo quando afirma que a decisão sobre o reaparelhamento das FFAA é decisão política e estratégica que cabe à Presidência. No caso da licitação para os novos caças da FAB, há a comissão da Aeronáutica que instruirá tal decisão, mas ela não é estritamente comercial. O mesmo quanto ao submarino de propulsão nuclear.

A decisão se enquadra em vetores mais amplos de modernização das FFAA, investimento industrial, para uma força com capacidade dissuasória, em novos marcos estratégicos de defesa nacional, voltada para a cooperação e parcerias sul-americanas e defesa do território e sua extensão oceânica.

Os entendimentos mantidos entre Lula e Sarkozy não são inteiramente públicos todavia. Mas vale a pena recordar que saber manobrar num mundo multipolar, explorando contradições a serviço de um novo projeto nacional, sempre foi caminho indispensável a quem queira se afirmar no cenário internacional. China e Índia dão lições disso. No caso do Brasil, Vargas soube manobrar – e alterar posicionamentos – com os EUA contra a Alemanha, no curso da 2ª Guerra Mundial, arrancando no desenvolvimento da siderurgia nacional. Geisel, por outro lado, soube manobrar com a Alemanha contra os EUA – rompendo o acordo militar Brasil-EUA – para constitui a energia nuclear.

Se Lula tem elementos para dar primazia a projeto dos franceses, com transferência de tecnologia e barateando os custos do Rafale, não será novidade. França, particularmente a França gaullista hoje representada por Sarkozy, sempre buscou seu espaço próprio, de afirmação política e econômica, particularmente cultural, diante dos EUA. É contraditório, porque a vitória de Sarkozy sinalizava exatamente a modernização de França segundo paradigmas mais liberais. Mas há disputa comercial, de monopólios industrial-financeiros da aviação, e há interesses geopolíticos num mundo multipolar.

O melhor que o Brasil pode fazer é isso mesmo: lutar pelos seus próprios interesses nacionais, afirmar-se, disputar seu lugar no mundo. O resultado da licitação dos caças da FAB devem ser expressão disso.

 
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