Pesquisa do Instituto Sensus, divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que a diferença entre o governador de São Paulo e pré-candidato tucano, José Serra, e a ministra chefe da Casa Civil e pré-candidata petista, Dilma Rousseff, caiu praticamente pela metade, de 10,1 pontos percentuais, em novembro, para 5,4 pontos percentuais, em janeiro. O tucano aparece com 33,2%, e a ministra, com 27,8% das intenções de voto - no cenário estimulado, que inclui o nome do pré-candidato do PSB, Ciro Gomes - que soma 11,9%. Na mesma lista, a senadora Marina Silva (PV) soma 6,8% das intenções de votos. Com Serra e Dilma no segundo turno, a vantagem do tucano sofre uma queda, de 18,6 pontos percentuais, em novembro, para 6,9 pontos percentuais, em janeiro.

No cenário que inclui Ciro, se computada a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Serra e Dilma ficam tecnicamente empatados. José Serra subiu de 31,8%, em novembro, para 33,2%, em janeiro. Já Dilma Rousseff foi de 21,7% para 27,8%; Ciro caiu de 17,5% para 11,9%; e Marina Silva subiu de 5,9% para 6,8%.
Na lista sem Ciro Gomes, Serra cresce 0,2 ponto percentual, passando de 40,5%, em novembro, para 40,7% no levantamento divulgado ontem. Já Dilma ganha cinco pontos percentuais, subindo para 28,5%. Marina cresce de 8,1% para 9,5%
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Espontânea. Na chamada pesquisa espontânea, em que o eleitor não recebe listas para escolher os candidatos, Dilma ultrapassou Serra pela primeira vez. Embora o presidente Lula ainda lidere com 18,7%, mesmo sem poder entrar na disputa, Dilma chegou aos 9,5%, 0,2 ponto percentual à frente de Serra, que teve 9,3%.
Para o analista técnico do Instituto Sensus Ricardo Guedes, os dados mostram que Dilma Rousseff "parece começar a extrapolar o limite de transferência de votos do presidente Lula". Ele explicou que o potencial de transferência do presidente é de cerca de 20%, mas Dilma já está superando esse patamar. "Ela caminha para a consolidação de sua candidatura", analisa Guedes.
No que tange à rejeição, Dilma tinha em novembro passado índice de 34,4%, a segunda maior entre os pré-candidatos. Porém, em janeiro caiu para 28,4% e passou a ter a menor rejeição. Já Marina tem o maior índice de rejeição, com 36,6%. A rejeição de Serra é de 29,7%, e a de Ciro é de 30,3%.
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 2.000 eleitores, em 24 Estados, entre os dias 25 e 29 de janeiro deste ano. O levantamento está registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Com agências)
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Vox Populi
CNT. A pesquisa CNT/Sensus confirma dados divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Vox Populi, que mostrou queda na vantagem de Serra sobre Dilma. Entre novembro passado e janeiro deste ano, a diferença caiu de 21 para 7 pontos percentuais, de acordo com o Vox Populi.
Análise - "Pesquisa reflete o índice de popularidade de Lula"
A eleição chilena, na qual a ex-presidente Michelle Bachelet não transferiu ao candidato governista a sua popularidade, é um exemplo que não deve se aplicar ao Brasil. A avaliação é do analista da CNT/Sensus Ricardo Guedes.
Guedes acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve conseguir fazer com que sua alta popularidade beneficie a ministra Dilma Rousseff. “Existe a transferência pelo fato de que o governo teve êxito em fazer uma melhoria econômica e também tem recorde de aprovação internacional”, explica, destacando, porém, que a transferência não pode ser interpretada como um indício de uma eventual vitória de Dilma.
Serra. O governador José Serra cumpriu agenda oficial ontem na capital paulista. Questionado sobre a pesquisa, o tucano foi lacônico: “disso eu não falo”.

Opiniões
Coordenação. Para o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, a pesquisa é reflexo de uma estratégia acertada, de colar a imagem da candidata governista à do presidente Lula. “O processo de transferência de votos está caminhando”, disse.
Hipertensão. A ministra Dilma Rousseff minimizou o resultado da pesquisa. “É só mais uma pesquisa”, disse. Já o presidente Lula usou a crise de hipertensão sofrida por ele para comemorar o desempenho da ministra. “Não há pressão que consiga subir com a pesquisa de hoje (ontem), mostrando que as pessoas estão compreendendo o que está acontecendo”, afirmou.
Fonte - Jornal O Tempo - 02/02/2010