Para manter as lojas fiéis, operadoras vão adotar política do "quem dá mais.
Visa (Cielo), Mastercard, American Express e outras. Até agora, cada operadora tem uma máquina específica para o seu cartão. Mas, a partir do dia 1º de julho, as maquininhas terão "bandeira branca": um único equipamento vai aceitar todos os cartões. Como agora o lojista vai poder escolher com quem quer trabalhar, as operadoras e os bancos aderiram à política do "quem dá mais", usada pelas empresas de celular.
Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Roberto Alfeu, cada uma vai querer oferecer melhores condições, como isenção de aluguel e taxas menores.
"Nesses primeiros seis meses, orientamos aos lojistas que não se deixem seduzir, negociando com as operadoras de cartão o melhor contrato, mas sem fidelização. Ou seja, se resguardem o direito de mudarem de operadora quando melhor lhes convier; somente assim poderemos, dentro do livre mercado, baixar os custos dessas operações", alerta Alfeu.
A gerente da rede de lojas de roupas femininas Jey, Luciana Heleno, afirma que ainda não escolheu com qual operadora vai trabalhar, mas confessa que tem recebido propostas de várias bandeiras. "Por enquanto, a do banco Santander/Real é a melhor, pois me ofereceram isenção do aluguel da máquina, sem taxas, e serviço de manutenção gratuito", informa Luciana. Esse é um novo cartão que, segundo a Alfeu, já é reflexo da competitividade no mercado.
O presidente da CDL-BH acredita que a disputa pelo cliente deve reduzir o aluguel e as taxas de administração, que são muito altos. A taxa cobrada pelas empresas de cartão no Brasil é, em média, de 4% ao mês, enquanto, na maioria dos países, fica em torno de 2%. A taxa de aluguel das máquinas, que na média mundial é de cerca de R$ 70, no Brasil é de R$ 110.
De acordo com a CDL, a unificação vai gerar uma economia de R$ 120 milhões para o comércio do Estado, sendo R$ 19,2 milhões só na capital. "Gastando menos com os aluguéis das máquinas, a loja poderá fazer mais contratações, por exemplo", afirma a gerente da Jey do Del Rey, Eugênia Valadares, lembrando que até os gastos com energia serão diminuídos. "Os lojistas poderão até mesmo diminuir seus preços em relação aos concorrentes", avalia o presidente da CDL-BH.
CDL defende regulamentação
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Roberto Alfeu, defende que o Banco Central atue na regulamentação do mercado. "O movimento lojista entende que são necessárias regras claras sobre taxas e tarifas que, por serem extremamente altas em relação à média mundial, têm afetado lojistas e consumidores", alerta.
Os juros do cartão de crédito no Brasil variam de 10% a 15% ao mês, enquanto a inflação anual tem ficado em torno dos 4,5%. Segundo a CDL, na grande maioria dos países, o lojista recebe o valor da compra dois dias após ter sido efetuada pelo consumidor. No Brasil, o repasse só é feito ao comércio 33 dias após a compra. (QA)
Publicado no jornal O Tempo em: 22/06/2010